São as histórias e o modo que me arrastam pela corrente. O pestanejar já nao chega para ver tudo o que permanece à nossa frente. Hoje. Mas já nem o hoje chega.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Fernando Pessoa
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Friday, September 12, 2008
estranho vazio imutável. estranha dor de ausência.
talvez tentasse, em vão, substituir algo que nunca será substituído, e ande, à deriva, em busca de mim mesma. eu sei que ainda não ousei fazer-me frente, talvez pelo medo de me perder no caminho; pela força que não tenho todas as vezes que me olho ao espelho e penso que não sou eu. e eu sei, eu sei que jamais ousarei fazer a travessia sozinha! porque a única coisa que temo, é viver sozinha, solitária, sem uma mão que me segure cada vez que tropeço, sem um abraço que me envolva cada vez que chore, sem um beijo que me mostre o que é o amor cada vez que me deixo escapar de mim. não é tão simples assim?
estranho equívoco este, o da vida que permanecerá e permanece!
Posted at 03:24 pm by LuthienT
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Tuesday, July 29, 2008
E foi como se te tivesse encontrado, e os teus olhos, alienados aos meus, tivessem constituído uma só pessoa. Mas isso foi antes.
Concede-me umas palavras, para que possas saber então, que partis-te! e que em todas as vezes que te revi, a tua presença sempre imperava, eras um rei sem trono.
Concede-me, o poder de te ver longe de mim, de me despedir sem que sequer saibas, de nunca te dizer as palavras que mal consigo balbuciar para mim mesma (ainda).
Concede-me o pecado de te odiar por momentos, de construir a imagem que sempre foste, mas que me recusei a ver.
Concede-me a vida, ainda que trocada e em cacos!
Ainda assim, tudo isto me parece impossível...
Posted at 04:55 pm by LuthienT
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Thursday, June 26, 2008
gritos de uma criança perdida
Talvez a janela seja a saída para o amanhã mais próximo. Caí forte a chuva lá fora, o céu está cinzento e o frio ainda te incomoda. Tantos gritos. Gritam cada vez mais. Será que é apenas um expulsar dos medos da alma? Já não és criança. Os pensamentos são interrompidos pelos gritos, cada vez mais fortes. E choras. Estás farta desta solidão então, sentas-te no escuro, não queres ser iluminada. Nasceste destinada à solidão e, por ti, isso não será alterado, embora o detestes. Detestas mais a ideia de não seguires o destino, então obrigas-te, convencida, realmente, que o destino existe. Não tens ninguém que te dê a mão. És só tu e tu, numa luta permanente, onde todos os dias te espetam uma espada, que cada vez perfura mais, a pontiaguda. O sangue mancha-te a blusa. Tão branca, tão limpa. Talvez não sejam as lágrimas que, agora, te cobrem a face… talvez não seja de tecido que tu és, realmente, feita. Mais um sussurro contínuo de ti para ti. Mas não o consegues ouvir, há demasiados gritos. Eles não deixam. Talvez estejam presos, mas e a liberdade? Recusam-se a sair da jaula com medo de uma liberdade maior e uma vida melhor? Não. Talvez seja pior, tudo é pior neste mundo frio. A vida é cruel. E contínuas a manchar a blusa. Bebes cerveja. Olhas mais uma vez através da janela, numa tentativa de aconchego de alma. Até onde é que as tuas mãos conseguem chegar? "Não chores…" – ouves sem saber quem é. Tarde demais, ainda és uma criança.
Posted at 06:48 pm by LuthienT
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Tuesday, June 10, 2008
Foi, é e será
sempre por ti!
Posted at 11:10 am by LuthienT
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Tuesday, May 20, 2008
trocas o passo mentes escondes no fundo finges trocas o passo quem és? ris choras és tu!
Posted at 01:32 pm by LuthienT
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Talvez o devanear seja a opção certa. O procurar sem nunca me (te) encontrar. Talvez seja este o motivo, pelo qual, sempre tive uma certa predisposição para se repetir tudo da mesma maneira, num ciclo vicioso (menos tu). Foram tantas as vezes que me tocas-te superficialmente com medo de me magoares, mas por fim, a mais profunda das vezes doeu. A derradeira vez em que ao toque impuseste o beijo. A desesperança alicerçada no íntimo do meu ser (agora) doeu (dói) mais de quaisquer toques que poderias ter dado. Afinal, sentia-os sempre tão macios... Mas doeu, e ainda hoje me descem pela face as lágrimas do derradeiro início (ou final). Há vezes em que me apetece comer terra.
Posted at 01:20 pm by LuthienT
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Friday, May 16, 2008
Até as ruas parecem não ter nome quando caminhamos sozinhos.
Posted at 12:57 pm by LuthienT
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Saturday, May 10, 2008
Tocas na ferida naquela que deixou cicatrizes, mas ainda assim, rezas. Esperas que alguém te oiça, ao menos Não estás certa de que obterás resposta ainda assim, tentas. É complicado, mas é um ciclo. Vão mais vezes do que voltam. Arriscamos a deixar tudo para trás. Arrastam-se pela face, as lágrimas que te andam a cortar toda a respiração que ainda poderias ter. Uma reza de adeus, ao menos. Que alguém te oiça.
Posted at 02:25 pm by LuthienT
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Sunday, May 04, 2008
A brandura com que me olhas todos os dias, dói (mal sabes).
Posted at 02:26 pm by LuthienT
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Wednesday, April 30, 2008
Forraste-me o rosto de algodão. Talvez o tenhas feito com o propósito de que ele absorvesse todas as lágrimas que ainda correm depois de teres ido. Ainda caem, por vezes, quando me distraio da vida e me perco, tantas vezes sem ser encontrada novamente; o que fizemos de nós? Parte, mais uma vez. O permanecer, agora, dói mais que o ficar, por isso, foge. Esconde-te, embora eu saiba que ainda te haverei de encontrar, mesmo que seja num espaço metafísico, talvez só meu. A tua presença ainda me incomoda.
Posted at 03:08 pm by LuthienT
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